A Polícia Federal (PF) identificou um esquema de tráfico de drogas que pode envolver ao menos 40 policiais militares e guardas municipais no Pará. O caso está sendo investigado pelo Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) da Polícia Civil do Amapá em conjunto com a PF.
As informações foram divulgadas por Mirelle Pinheiro, do portal Metrópoles.
A organização é suspeita de enviar maconha e cocaína para o Amapá e outros estados, além de manter conexões internacionais.
Segundo a investigação, o guarda municipal Pedro de Moraes Santos Garcia é apontado como a principal liderança do esquema e está foragido. Ele teria movimentado cerca de R$ 40 milhões em contas bancárias ao longo de três anos e assumiu um papel de destaque na facção Família do Terror do Amapá (FTA).
Drogas em balsasDe acordo com as investigações, a droga era transportada do Pará para o Amapá, principalmente por meio de balsas, e era oculta em sucatas e até dentro de eletrodomésticos, como airfryers, para evitar a fiscalização.
O esquema também envolvia o uso de familiares e terceiros como ‘laranjas’ para lavagem do dinheiro obtido com o tráfico. Um desses operadores teria movimentado cerca de R$ 5 milhões.
Policiais no esquemaAlém do guarda municipal, o inquérito aponta a participação direta de policiais militares tanto no tráfico quanto na lavagem de dinheiro.
Segundo a PF, há suspeitas de que membros das forças de segurança estavam se apropriando de drogas de outras facções, como o Comando Vermelho, para revendê-las.
Na última operação realizada, dois policiais militares, Fernando Henrique da Silva Albernaz e José das Graças Peres Monteiro, e um civil vinculado à corporação foram detidos.
Ligação com crimes violentosO grupo também é investigado por participação em ações violentas, incluindo um assalto a uma embarcação ocorrido em 2021, no Pará.
Segundo as investigações, Pedro chegou a aparecer fardado e dar uma entrevista sobre o crime.
Um dos assaltantes, ao perceber a situação, enviou uma mensagem ao guarda, que teria respondido afirmando ter conseguido “burlar o sistema”.
Em outro incidente, um homem que delatou um dos investigados vinculado ao grupo foi encontrado morto. A polícia está investigando a relação do crime com a organização.
Operação AbadonA ação faz parte da Operação Abadon, que cumpriu 118 mandados judiciais em seis estados: Amapá, Pará, Roraima, Ceará, Rio Grande do Norte e São Paulo.
As investigações tiveram início em 2023, após a prisão de um membro da facção do Amapá, que estava na residência de um policial militar no Pará.
A polícia conseguiu identificar a estrutura do grupo, que utilizava contas de terceiros para movimentar dinheiro e esconder a origem dos valores obtidos com o tráfico. Durante as buscas em uma das locações ligadas ao chefe do esquema foram apreendidos uma BMW e cerca de R$ 30 mil em espécie.



