João Silva
Equipe de Reportagem
O comando do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Amapá passou por mudanças recentes. O tenente-coronel Wilkson Santana assumiu a liderança da unidade, acompanhado pelo major Hércules Lucena como sub-comandante. Ambos possuem uma longa trajetória na instituição, com mais de vinte anos de serviço.
Em uma entrevista ao Programa LuizMeloEntrevista (Diário FM 90,9) realizada nesta quarta-feira, 4, os novos líderes da tropa de elite da PM do Amapá discutiram seus planos para dar continuidade às operações já em andamento no batalhão, especialmente no combate ao crime organizado.
“Estamos monitorando as sete facções que atuam em nosso estado. Nossa área de Inteligência é altamente ativa, e podemos afirmar que lidamos com indivíduos extremamente perigosos. São criminosos sem escrúpulos, dispostos a tudo para alcançar seus objetivos”, explicou Wilkson.
De acordo com a ‘mancha criminal’ – indicando áreas com maiores registros de atividades de organizações criminosas – a zona norte de Macapá, bairros como Santa Rita e Nova Esperança, e o município de Santana são os pontos mais críticos do Amapá.
“Essas regiões concentram facções rivais que, em caso de conflito, podem se confrontar devido à proximidade. Nosso objetivo é evitar esses confrontos, pois nas áreas de palafitas, os disparos podem atingir cidadãos inocentes, inclusive crianças, como já ocorreu. Por isso, precisamos agir com firmeza”, afirmou o novo comandante do Bope.
Wilkson destacou que a principal estratégia para combater as organizações criminosas é realizar prisões de traficantes.
“Toda a cadeia criminosa gira em torno do tráfico. Os criminosos roubam para comprar drogas, furtam para trocar por drogas e matam por ordens de traficantes. Quando conseguimos deter traficantes e apreender grandes quantidades de drogas, conseguimos enfraquecer a estrutura do crime”, ponderou.
Sobre sua nomeação para liderar o Batalhão de Operações Especiais, o tenente-coronel expressou emoção e relembrou sua história na unidade.
“É uma responsabilidade imensa e assumir o comando deste batalhão é impactante. Mas é uma honra pessoal incrível, pois eu fui soldado do Bope. Em 2002, entrei para a Polícia Militar do Amapá e, em 2003, o Bope foi criado, no qual servi na primeira turma. Participar da história dessa unidade e encerrar minha carreira militar como comandante do Bope é algo que levarei comigo para sempre. Espero poder orgulhar minha tropa, pois um grupo como o Bope precisa se identificar com seu comandante, caso contrário, não terá a motivação necessária para enfrentar as missões extremamente complexas que temos”, ressaltou Wilkson Santana.
Embora Wilkson e Hércules já estejam atuando no Bope administrativamente, a cerimônia oficial de passagem de comando está agendada para o dia 18 de março, com a realização de uma formatura para apresentar os novos líderes à sociedade e à imprensa.
A escolha de Hércules Lucena como subcomandante, na visão do tenente-coronel Wilkson, baseia-se em confiança, interação e proximidade. Para ele, Hércules, que anteriormente ocupava o cargo de chefe de operações do Batalhão de Operações Especiais, não apenas possui essas qualidades, mas também tem a competência necessária para auxiliá-lo nas decisões e planejamento operacional no combate ao crime organizado.
Batalhão de Rotam
Ainda neste ano, Hércules Lucena está previsto para assumir o comando do Batalhão da Ronda Ostensiva Tática Motorizada, a Rotam, que deixará de ser uma Companhia ligada ao Bope.
O projeto para a criação desse batalhão foi apresentado em 2023 pelo major durante o TCC do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais. Após justificar a necessidade e viabilidade de uma unidade especializada na zona norte da capital, o projeto foi aprovado e implementado pelo Governador Clécio Luiz.
“Realizamos uma análise detalhada da distribuição dos batalhões na região, levando em consideração o número de unidades por zona e a população local. Identificamos que apenas na zona norte existem cerca de 30 bairros e quase 150 mil habitantes. Quando analisamos os dados de atividades de facções, percebemos que a maioria está concentrada nessa região. Por isso, é crucial reforçar a segurança com uma unidade especializada nesse local”, explicou Lucena, comprometendo-se a trabalhar para reduzir os índices de violência.
“Sabemos que o crime nunca será erradicado, pois é um fenômeno social. Enquanto houver sociedade, em menor proporção, haverá crime. Portanto, o Estado deve estar presente para impedir a dominação criminosa nessas áreas.



