Na manhã desta quarta-feira, 17, o Ministério Público do Amapá, através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Núcleo de Investigações (Nimp), lançou a Operação Convergência Nacional – Amapá.
Essa ação visa executar dez mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão emitidos pela Justiça Estadual. O foco da investigação é desmantelar as lideranças da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) que atuam no Amapá.
A operação faz parte de uma série de iniciativas do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (Gncoc), que integra o Ministério Público brasileiro, com o objetivo de enfrentar facções criminosas em todo o território nacional.
As ações contaram com a colaboração da Polícia Militar do Estado do Amapá, incluindo equipes do Batalhão de Força Tática, do Canil do Batalhão de Operações Especiais e da Companhia Patamo. A Polícia Penal também foi envolvida, com participação do Grupo Tático Prisional e da Inteligência do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen).
Adicionalmente, houve suporte da Polícia Militar do Estado de São Paulo, onde alguns mandados de prisão e busca foram cumpridos, já que parte dos envolvidos reside nesse estado e emite ordens para seus comparsas no Amapá.
As investigações tiveram início em março deste ano, após a apreensão em flagrante de um adolescente de 16 anos por tráfico de drogas no bairro Araxá. O menor ficou sob custódia enquanto respondia a um processo socioeducativo, mas veio a falecer em circunstâncias ainda não esclarecidas menos de duas semanas depois.
Com o material encontrado na posse do adolescente, foi possível identificar células denominadas ‘disciplina’ e ‘progresso’, que são funções dentro da facção responsáveis por punir membros desobedientes, eliminar rivais e aumentar os recursos financeiros através de atividades ilícitas no estado.
Essas lideranças estavam principalmente envolvidas com o tráfico de drogas e comércio ilegal de armas, recrutando adolescentes em diversas áreas de Macapá. Além disso, promoviam ações violentas contra integrantes de facções adversárias para expandir seu domínio territorial e o tráfico no Amapá.
Um dos alvos da investigação é suspeito de ser o autor intelectual da brutal morte de uma mulher de 29 anos em 2025, ocorrida na frente da filha dela, que tinha apenas oito anos na época. Essa execução teria sido motivada pelo fato dela pertencer a uma facção rival.
Os executores desse crime seriam outros adolescentes ligados à mesma organização criminosa, um deles sendo o jovem cuja apreensão deu início à investigação atual. Outro investigado está relacionado à morte e ao esquartejamento de um homem que supostamente também fazia parte de outra facção criminosa.
A partir das apurações realizadas, Gaeco e Nimp conseguiram identificar as lideranças da facção tanto em Macapá quanto em São Paulo, locais onde elas coordenam as atividades dos membros no Amapá.
Todo o material coletado durante as operações será submetido a uma análise técnica detalhada, e as denúncias serão formalizadas dentro dos prazos legais estabelecidos. O comando da operação está sob responsabilidade do Gaeco e Nimp, ambos órgãos especializados do MP-AP dedicados ao combate às organizações criminosas.


