A Amapa Minerals Holdings, empresa de mineração que possui como principal ativo uma antiga mina de ouro a céu aberto situada no estado do Amapá, apresentou um pedido de oferta pública inicial de ações (IPO) na Bolsa de Valores de Toronto, no Canadá, conforme informações divulgadas pela Bloomberg.
O foco da companhia é a mina Pedra Branca do Amapari, também conhecida como Mina Tucano, localizada no município homônimo, aproximadamente 200 km ao noroeste de Macapá. Entre os anos de 2005 e 2021, essa mina produziu mais de 1,5 milhão de onças de ouro.
Até o momento, não foram especificados nem o número total de ações a serem emitidas nem o preço do IPO. A operação será coordenada pelas instituições Canaccord Genuity e Bank of Montreal. Vale destacar que a Amapa Minerals não é a única movimentação nesse cenário: na última segunda-feira (13), a mineradora canadense Cadillac Mines, com projetos em Ontário e Quebec, também protocolou seu pedido para IPO.
Essas iniciativas fazem parte de uma recuperação mais ampla do mercado canadense de IPOs, que está registrando o melhor desempenho em volume desde 2021. Informações compiladas mostram que os IPOs realizados no Canadá já arrecadaram US$ 1,8 bilhão em 2026.
Esse crescimento foi impulsionado pela estreia da Apotex Health, fabricante de medicamentos genéricos, que levantou US$ 1,1 bilhão no final de maio. Embora a recuperação do mercado canadense seja um contraste em relação aos anos anteriores de baixa atividade, ainda é considerada modesta.
História da Mina
A mina Pedra Branca do Amapari tem uma trajetória incomum em termos de troca de proprietários, acumulando nove diferentes donos ao longo dos anos.
A AngloGold adquiriu a mina em 1998 como parte da compra dos ativos da Minorco e vendeu-a em 2003 para um consórcio local por US$ 18,2 milhões. No ano seguinte, a Wheaton River Minerals comprou o projeto por US$ 25 milhões, sendo parte do pagamento realizado em ações e dinheiro.
A produção comercial começou em 2006 e, no primeiro ano, foram extraídas 84,2 mil onças de ouro a um custo total de US$ 524 por onça segundo relatórios da Goldcorp, que assumiu o controle após a Wheaton River.
No entanto, em 2007, a Goldcorp transferiu o ativo para a Peak Gold — posteriormente renomeada New Gold. Com esgotamento do minério oxidado em janeiro de 2009, as operações foram suspensas para cuidados e manutenção.
No ano seguinte, a New Gold vendeu a mina para Beadell Resources por US$ 53 milhões (US$ 37 milhões em dinheiro e US$ 16 milhões em ações). A operação foi reativada sob o nome Mina Tucano e continuou até seu fechamento em 2021.
Novos Rumos
Em setembro de 2025, a Amapa Minerals fez sua primeira aparição pública durante uma reunião com Paulinha Santos, prefeita da Serra do Navio e representantes da cidade vizinha Pedra Branca do Amapari.
Nesse encontro foi anunciado que a empresa “assumiria definitivamente” as operações na extração de ouro na região e manifestou planos para reativar a mina no médio prazo, dependendo das aprovações legais e ambientais necessárias. Até agora, os detalhes sobre a estrutura acionária da Amapa Minerals Holdings não foram divulgados.
Documentos da Receita Federal indicam que sua subsidiária brasileira operava anteriormente como Mina Tucano Ltda., que estava sob recuperação judicial até agosto de 2025. Após sua saída formal dessa situação financeira complicada, a canadense Tucano Precious Metals Inc. foi registrada como sócia estrangeira. É esta entidade que agora busca captação na Bolsa de Toronto sob o nome Amapa Minerals Holdings.
A escolha pela Bolsa de Toronto para realizar o IPO é compreensível: essa bolsa e sua plataforma TSX Venture Exchange abrigam cerca de 40% das mineradoras listadas mundialmente e servem como porta de entrada para empresas menores do setor mineral.


